Terapia da Concentração
Contemplar para Viver
A Terapia da Concentração como Meditação Logoterápica e Via de Integração Biopsicoespiritual
Introdução
Concentrar não é técnica, é caminho de escuta.
aquietar → escutar → responder
A prática contemplativa propicia aquietar — a regulação da atenção que aponta a liberdade interior. Aquietar promove escutar: primeiro, no sentido de compreender o que a vida nos pergunta, ou seja, descobrir o sentido; segundo, no sentido do escutar terapêutico. Finalmente, responder é o atuar genuíno e coerente, livre de reatividades e imediatismos.
Objetivo
Apresentar a Terapia da Concentração (Tcon) como proposta de meditação logoterápica, demonstrando a coerência teórica dessa integração.
Metodologia
A Tcon foi construída pelos autores a partir de um percurso de mais de vinte anos. Combina pesquisa científica rigorosa, prática clínica continuada e aprofundamento meditativo pessoal sob a mentoria de contemplativos.
Aplicação em grupo e individual
É oferecida em formato de programa estruturado de 12 semanas. Por ser focada no aprendizado de uma prática, os encontros podem ser realizados em famílias, ambientes de trabalho e paróquias, igualmente como em ambientes de saúde e psicoterapia. É apropriada para todos que não têm objeções culturais a simbologias cristãs católicas, independentemente de credo.
É também oferecida como complemento à psicoterapia individual, apresentada como atividades entre as sessões, conforme a necessidade e a sensibilidade cultural do cliente.
Os três eixos
A Tcon é centrada em três eixos imprescindíveis que a fundamentam.
Eixo científico
A base estrutural da Tcon descende diretamente da Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT), desenvolvida por Segal, Williams e Teasdale (2002) a partir do trabalho pioneiro de Jon Kabat-Zinn com o Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR). A MBCT tem reconhecida comprovação de benefícios clínicos, como a prevenção de recaídas de depressão maior e a redução de ansiedade e insônia (Kuyken et al., 2016; Gkintoni et al., 2025).
A Tcon é filha do programa Atentamente de práticas meditativas, também desenvolvido pelo autor. A dissertação de Julio Lins (2015) o investigou qualitativamente, descrevendo transformações pessoais, regulação emocional e resiliência psicológica.
Eixo contemplativo
A base filosófica da Tcon, em sua ordenação ao amor, descende da tradição mística cristã. Constatamos a presença dos elementos terapêuticos do Mindfulness nos ensinamentos dessa tradição: a atenção ao presente corresponde à presença de Deus; a observação sem julgamento corresponde à mansidão; a aceitação que permite mudança corresponde à humildade e à entrega.
A tradição teresiana da oração mental, a “pequena via” de Teresa de Lisieux e os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola são aqui compreendidos como o aprofundamento do Mindfulness e sua ordenação para o amor.
Eixo logoterápico
A base antropológica e existencial da Tcon, em sua compreensão biopsicoespiritual da pessoa, descende da Logoterapia de Viktor Frankl. Conforme a leitura da 7ª tese, a pessoa humana “fomenta a unidade na totalidade” (Carmelo, 2025). Aqui a concentração envolve o corpo que se aquieta, a psique que observa pensamentos e afetos, e o espírito que se abre ao sentido, à liberdade e à responsabilidade.
Ao iluminar os automatismos reativos e as fusões cognitivas, a Tcon propicia o reconhecimento do espaço interior de escolha, no qual a pessoa pode responder à vida de modo mais consciente e responsável (Frankl, 2022).
Descrição do percurso
Compromissos
Praticar três vezes por dia, por cinco minutos, com assiduidade e intenção ampliada — aquela que amplia para incluir o outro e o desconfortável.
Ritmo
A cada semana, o grupo se encontra em roda. Dialoga sobre a aplicação dos exercícios no cotidiano, pede esclarecimentos e compartilha descobertas. Aprende-se um novo exercício meditativo e uma reflexão para a semana.
Jornada
Semana a semana, são investigadas as dimensões da percepção e da consciência, com linguagem e exercícios meditativos simples. O programa inicia com a regulação da atenção, familiarizando-se com a mansidão enquanto se retoma o foco proposto. Os focos propostos incluem: respiração natural, sensações corporais e sentimentos. Segue para o cultivo da liberdade interior, com os focos: emoções, pensamentos soltos e ideias. Provoca a busca pela escuta do sentido com perguntas reflexivas. Incentiva a ordenação ao amor com o cultivo de valores e compromissos.
Discussão
O centro da concentração não é o foco no objeto observado — é a mansidão com que se observa.
O mindfulness contemporâneo pede ao praticante que observe seus pensamentos sem julgamento. É uma instrução clinicamente útil, mas filosoficamente imprecisa. O que a instrução do não-julgamento solicita, na prática, é a moderação dos juízos apressados, reativos e contaminados pela paixão.
A Tcon propõe os nomes apropriados para essa moderação: Mansidão — a virtude que modera a ira e devolve serenidade ao intelecto, sem suprimir o juízo. Humildade — a virtude que ordena o apetite pela própria excelência.
“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.”Jesus, ao explicar que o seu jugo é leve (Mt 11, 30).
A defusão cognitiva é, demonstradamente, a qualidade ativa na MBCT para os seus benefícios na depressão. Identificamos na tradição teresiana correspondência à qualidade descrita no discernimento das potências da alma.
Teresa de Jesus orienta suas filhas a distinguirem, em sua oração mental, entre a inteligência e a vontade, de um lado, e a imaginação, de outro. Ensina que muito sofrimento pode ser evitado quando se entende que a alma pode estar recolhida em Deus mesmo quando a imaginação continua a vagar pelo castelo (Teresa de Jesus, 2018, Quartas Moradas, cap. 1).
O desabrochar de uma alma é infinitamente mais bonito que o de uma flor.
Maravilhamento (“Oh!”)
É uma experiência radicalmente logoterápica o estado de abertura e admiração súbita que emerge da concentração — diante, por exemplo, da beleza de uma alma, de um pôr do sol, de uma criança dormindo, ou no silêncio da oração. Esse estado de maravilhamento pode ser experiência integral de abertura ao sentido.
A Terapia da Concentração se compreende praticando.
Começar agoraTrilhe o percurso da concentração.
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